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JORNAL A CRÍTICA (Campo Grande - MS)
CADERNO LIGHT / LITERATURA
16/12/2001 - domingo
BABEL, DE ALBERTO LINS CALDAS É UMA ESPÉCIE DE LIVRO DE LIVROS
Wilson Mendes
Para aqueles que areciam a boa literatura, a Revan coloca no mercado a última obra de Alberto Lins Caldas, um livro nada fácil de se ler, e por isso mesmo, gostoso de se aventurar.
"O mundo já pertencia aos vermes, não mais aos criadores de sonho e luz." Essa é a última frase do último conto do livro "Babel". O conto intitula-se "Criador" e pode dar uma idéia básica do conteúdo deste aglomerado de textos, fragmentos de textos, contos e "livros" reunidos por Caldas.
Ao se entremear pelas páginas de "Babel", deve-se redobrar a atenção, como quem entra em um mundo obscuro, onde não se sabe o que está por vir. Mesmo com a atenção redobrada, pode-se garantir a compreensão total do texto, ou dos textos.
Para aqueles que conhecem as lendas acerca da famosa Torre de Babel, relatada no velho testamento, o livro ganha um sentido especial, senão, vejamos: Segundo o texto bíblico, que hoje já se tornou um apócrifo, a Torre de Babel foi idéia de um imperador que pretendia alcançar o Reino dos Céus. Deus, então, muito contrariado, fez com que cada um que trabalhava na Torre falasse uma língua diferente, tornando-se assim, impossível o entendimento entre os povos.
Na própria definição do autor, no texto final, têm-se a definição básica de Babel: "Aquilo não era um livro, mas um monstro: nascera de outros livros, da sua vida mais íntima e da cruel memória do mundo". O maior desafio aqui não é ler, mas entender e conseguir ler as entrelinhas escondidas, em cada página, em cada texto, em cada conto. Enfim, imperdível para, como já foi dito, os apreciadores da boa literatura.