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DIÁRIO DE PERNAMBUCO
CAD. VIVER
04/12/2001


A VIDA A NU DE FIDEL CASTRO
Mário Hélio

Primeira biografia do líder cubano será lançada no próximo dia 10, no Rio de Janeiro

Matar Fidel Castro foi o desejo de muitas pessoas durante toda a segunda metade do século vinte. Maior ainda deve ter sido o número dos que sonharam em escrever a sua biografia. A jornalista brasileira Claudia Furiati, 47 anos, acaba de conseguiu a segunda façanha, numa tentativa inédita de decifrar a esfinge, com a sua própria ajuda. Fidel Castro - Uma Biografia Consentida é o seu livro que a editora Revan está lançando. Em mais de mil páginas e centenas de fotografias, tem-se um retrato de corpo inteiro do líder cubano, resultado de dez anos de pesquisa, inclusive com a consulta dos seus documentos privados.

Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, o coordenador editorial do projeto, Nei Sroulevich, disse que, apesar de Fidel haver aberto os seus arquivos pessoais, não se trata de uma biografia oficial nem autorizada. O ditador cubano não quis ler os originais antes da publicação, e preferiu manifestar-se, depois de ler a obra publicada. Com tiragem inicial prevista de 2 mil exemplares, o livro será acompanhado de um vídeo que contém entrevista à autora. Nele Castro conta a sua versão da crise com os EUA, nos primeiros anos da vitoriosa revolução que o levou ao poder, mantido por 42 anos.

O livro já foi vendido a editoras espanholas, alemãs e italianas, com edições previstas para abril do próximo ano. E já estão em andamento negociações com os EUA, França, Canadá e Japão. Também haverá versões para o chinês, árabe e russo. Como costuma acontecer com os best-sellers, há interesse de produtores em adaptação para o cinema dessa biografia, tão cercada de expectativa que o coordenador e a autora têm planejado cuidadosamente a liberação do material de divulgação para a imprensa.

O primeiro volume do livro, intitulado De menino a guerrilheiro, tem 576 páginas, e o segundo, De subversivo a estadista, 480. A obra está dividida em sete partes e 53 capítulos. Há curiosidades para todos os gostos. De como Fidel, de origens rurais, filho de um ex-recruta, mostrou-se feroz desde a infância: é emblemático o momento emque Fidel, ainda criança, ataca com dentes afiados o braço do padre que chefiava o colégio La Salle, onde foi posto como interno. Foi também no colégio, agora dos jesuítas, onde tomou gosto por esportes. O primeiro volume do livro encerra-se no momento em que Fidel, já experimentado no cárcere e no exílio, está em plena guerrilha.

O início do segundo volume é a clássica história de David e Golias:, ou de como com um pequeno exército de pouco de 300 homens comandado por Fidel venceram os mais de dez mil sob as ordens de Fulgêncio Batista. É na primeira parte em que se trata da famosa crise dos mísseis com os EUA que quase descamba em uma nova guerra mundial. As partes seguintes vasculham a expansão do socialismo, o seu combate e derrocada, com momentos chaves como a morte de Che e Allende e, mais ainda, a queda do comunismo e o fim da URSS, bem como a queda do muro de Berlim. Acontecimentos mais recentes como as concessões capitalistas que Cuba teve de fazer para sobreviver e a própria visita do Papa João Paulo II.

Em trecho da apresentação da obra transcrito por El Mundo, a autora diz que "escrever sobre Fidel foi um furacão devastador, que não via com nitidez quando me dispus em ir até o fim". Para enfrentar esse furacão, ele teve como apoio de Manuel Piñeiro, "Barba Roxa", chefe de inteligência Exterior do governo de Fidel, por vinte anos, e do seu amigo Jesus Montané. Os prefácios são assinados por Roberto Amaral e Marcello Cerqueira, e apresentações de Milton Coelho da Graça e Nei Sroulevich, e há ainda depoimentos especiais do arquiteto Oscar Niemeyer.