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Oduvaldo
Batista
Um certo político do Ceará comparou o ministro Chefe da Casa Civil da Presidência, José Dirceu, a Stalin, segundo os jornais. Esta comparação é absurda. Prova que seu autor não conhece a História, é rancoroso ou ultra-conservador. Deve ser as três coisas.
A
propósito, sugiro a leitura do ensaio "Stalin - Um novo olhar",
do escritor Ludo Martens, traduzido no Brasil pelos jornalistas Pedro Castro
e Pedro Castilho, Editora Revan. Eles afirmam que o antistalinismo é
talvez a
primeira arma teórica, ideológica e prática com que conta
hoje o poder dominante capitalista no mundo. Seja no âmbito científico,
acadêmico ou não, seja no âmbito do noticiário cotidiano
da mídia impressa ou eletrônica.
O antistalinismo passou a ser absorvido, em quase todo o mundo, como uma espécie de verdade indiscutível, do tipo de verdades absolutas ou oriundas de produtos exclusivos da fé.
Mas
esse ódio a Stalin não teve geração espontânea.
Foi construído passo a passo, desde os anos 30, por uma conjunção
entre a propaganda nazista e a cadeia de jornais norte-americanos de Hearst,
de notórias simpatias pelo
nazismo, que o mundo inteiro conheceu no personagem "Cidadão Kane",
de Orson Welles.
Depois
da II Guerra Mundial, quando o anticomunismo virou política de Estado
na maioria dos países do Ocidente, o esforço para mostrar Stalin
numa imagem de vilão retornou com toda força e tornou-se moeda
corrente,
quase incontestada, após a queda do socialismo soviético no final
dos anos 1980. Sem qualquer debate sério, inclusive sobre questões
específicas relacionadas diretamente a Stalin, essa campanha do capitalismo
internacional, recorrendo às armas mais simples e às mais sofisticadas
da técnica de propaganda, associou-se às ações do
revisionismo no interior dos partidos comunistas, construiu e reconstruiu, elaborou
e reelaborou o
antistalinismo hoje em voga, impondo-o aos quatro cantos do planeta, como uma
espécie de cortina ou véu sobreposto à realidade das contradições
de ontem e de hoje entre o capitalismo e o socialismo e no interior desses
dois sistemas.
Como afirma Oscar Niemeyer, "um dia, os que se recusavam a discutir Stalin vão perceber como estavam enganados, iludidos pela campanha odiosa movida pelas forças mais reacionárias, que o livro de Ludo Martens tão bem revela".
Comparar Zé Dirceu com Stalin - insisto - é um atentado à História.