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Uma Biografia para Sempre

Nei Sroulevich*

Biografar qualquer pessoa é um trabalho extremamente difícil, assim como, ler uma boa biografia é coisa rara, inda mais, quando o biografado é uma figura de projeção internacional e está vivo. Portanto, o leitor está diante de uma obra rarissíssima, daquelas que se escrevem de lustro em lustro. Esta é a única biografia, existente no mundo, do Comandante Fidel Castro. A outra, do jornalista norte-americano, Tad Szulc, editada em 1986, "Fidel A Critical Portrait", foi considerada, pelo próprio, incompleta e superficial.

Com muito sacrifício e lágrimas, Claudia Furiati dedicou quase dez anos para escrever esta obra - um misto de prazer e de tortura, quando viveu, por cinco anos, em Cuba, como se estivesse em um cárcere privado, 'vigiada' pelos contras e pelos autênticos revolucionários cubanos. No entanto, teve dois excepcionais 'anjos-protetores': os Comandantes históricos da Revolução cubana, Manuel Piñeiro e Jesus Montané. Ambos, juntamente com Furiati, ensarilhavam suas armas, todos os dias, entre pratos de 'moros y cristianos', copos de rum a 'la rocca' e muita fumaça dos 'puros', momentos de reflexão, quando faziam a checagem das informações, que enriqueciam, quotidianamente, ainda mais o trabalho. Os três, fizeram um grande 'Pacto Conspiratório', que deu origem à presente biografia. Furiati entrevistou dezenas de amigos e inimigos de Fidel Castro, em Cuba, Estados Unidos, Espanha, México, Bolívia, Chile, Argentina e Brasil, com todas as dificuldades dos estrangeiros que são vistos como "suspeitos" por um crime ainda não cometido. Assim, Furiati foi alimentando a biografia, com histórias inéditas, inverossímeis, geniais e fantásticas, sobre a vida desse ser polêmico, adorado e odiado, personagem chave, sem dúvida, de mais de meio século da história oficial e, também, da confidencial e secreta, de nossa contemporaneidade. 'Fidel Castro, Uma Biografia Consentida' pode ser dividida em duas partes, que aliás, deram os subtítulos às três primeiras edições brasileiras, editadas em dois volumes: 'Do Menino ao Guerrilheiro' e o segundo, 'Do Subversivo ao Estadista'. Queiram ou não, os eternos invejosos de plantão, este é o livro definitivo, que continuará a descrever e mostrar, para as gerações futuras, quem foi Fidel Castro. Após três edições em um ano, esta 4a edição brasileira atualizada até janeiro de 2003 foi transformada, para uma melhor comodidade de leitura e de preço, em um único volume. O livro já foi editado em italiano e, nos próximos meses, sairão as edições em espanhol, árabe, chinês, grego e em Portugal. As em inglês, francês, alemão, russo e japonês, também estão a caminho. Aos leitores, deixo o desafio de ir a fundo nessa leitura que, certamente, os embalará numa viagem incrível através dos fatos e documentos que vivemos, muitas vezes, sem perceber. Essa não é apenas a história de Fidel Castro e de Cuba. É, também, a nossa história!

Rio de Janeiro, março de 2003.

(*) Nei Sroulevich é jornalista e produtor cultural.
Foi correspondente, em Paris, durante dez anos, da revista Manchete. Há anos, é cronista dominical, na página de Opinião, do Jornal do Commercio. Produziu inúmeros filmes de longa e curta-metragem, entre diversas outras atividades culturais.