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Prefácio *
Desde os
primórdios da humanidade o homem buscou proteger-se das intempéries
e do ambiente hostil utilizando-se dos meios que estavam disponíveis
nesse mesmo ambiente. A inexistência de tecnologias sofisticadas fez com
que procurasse, em suas construções, aspectos que reduzissem o
calor, o frio, a umidade, a secura etc. Na verdade, à medida de sua evolução
e maior sofisticação, passou a introduzir materiais mais elaborados,
muitas vezes, vindos de outras partes, ainda que distantes. A necessidade de
ostentar o “progresso”, o poder econômico, a abundância
de tecnologia, fez com que, sobretudo nos tempos contemporâneos, em muito
se desconsiderasse a questão ambiental na arquitetura. Cria-se a partir
daí um padrão globalizado nas cidades, o que leva, por exemplo,
à construção, nos trópicos, de prédios com
fachadas totalmente envidraçadas, verdadeiras estufas pelo excesso de
insolação, o que acaba sendo corrigido por sistemas de refrigeração
e iluminação demasiadamente caros. A este ponto deve-se acrescentar,
no caso brasileiro em particular, a inexistência de planejamento das cidades
que leve em conta as questões ambientais. Note-se, em contrapartida,
que a América Espanhola, desde os tempos coloniais, caminhava no sentido
inverso: as “ordenanzas del Rey” estabeleciam regras que abrangiam,
além dos aspectos de defesa, o posicionamento, a incidência solar,
os ventos, as chuvas, enfim, os aspectos climáticos objetivando uma habitabilidade
mais confortável.
O trabalho de Oscar Daniel Corbella e Simos Yannas é, sem dúvida,
um excelente ponto de partida para uma profunda reflexão sobre o homem
e seu ecossistema. Ensina uma melhor interação da arquitetura
com o meio ambiente, uma adequada percepção dos projetos, a utilização
de materiais que melhor se adaptem às condições climáticas
locais, bem como a preservação e o uso natural de recursos naturais
não renováveis e também daqueles cuja renovação
exija um longo período.
No século XXI a arquitetura, sem desprezar o belo e a plasticidade das
formas, o conforto e a funcionalidade, terá que forçosamente reencontrar
o meio ambiente cujo equilíbrio é de fundamental importância
para a sobrevivência da espécie humana na Terra.
É com especial satisfação que, como arquiteto, urbanista
e homem público, escrevo estas palavras de introdução.
Tenho a firme convicção de que a abordagem e análises comparativas
dos Autores servirão ao aprimoramento do debate que hoje, mais do que
nunca, se faz necessário, e para a percepção racional das
intervenções humanas e seus impactos no meio ambiente.
* LUIZ PAULO CONDE
Arquiteto,
urbanista e vice-governador do Estado do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro, abril de 2003.