[retornar]
[Segredos de uma Pequena Rua]

O DOM DA NARRATIVA

Ao terminar a leitura desta sua obra Segredos de uma pequena rua, do escritor Wilson Saad, me senti diante da profunda indignação filosófica: "o que é o homem palhaço de Deus ou joguete da natureza?".

Isto porque o autor coloca o leitor em face do transcedental conflito que envolve o direito de dispor de uma vida humana, sujeita ao seu aniquilamento por uma simples decisão pelo abordamento forçado.

A conjugação do amor à literatura com a temática provinda do rico laboratório, nascido na militância de sua advocacia, levou o escritor a explorar o gênero policial-jurídico, denominado na literatura norte americana como suspense legal, em forma veloz e impactante, a nos manter atento a ponto de nos tirar o fôlego durante a leitura.

Este é o quinto romance do autor de uma obra que tem sempre a mesma conotação de urdiduras, como se fosse feita para a transposição ao cinema; o autor aqui oferece pequenos ensaios de fatos históricos ocorridos na conturbada década de 50, apropriados ao contexto da narrativa, num misto de memórias e ficção, entremeado pela doce e sofrida figura de Fabiana e o desvario da emblemática loba e patética Larisse.

É uma obra inteligente, um livro maduro, onde o autor comprova o seu absoluto domínio sobre o romance subjetivo e sua força analítica de escritor que vasculha a alma de sua protagonista e as reações torturantes que atormentam a consciência do ser humano.

Um romance marcante fadado a não cair no esquecimento.

Oriovaldo Rangel
Jornalista e escritor