página inicial | deixe aqui sua opinião Gente e ocupação da zona proibida do Caparaó Vivaldo Barbosa História 474 páginas R$62,00 Formato: 16 x 23 cm Código: 0408 ISBN/ISSN: 9788571063907
Vivaldo Barbosa é conhecido como político de luta. Não qualquer luta, mas a da justiça social, a mais importante de todas. Com esse livro demonstra também cultura e sensibilidade de historiador. A história é um dos gêneros literários mais difíceis. Apoiada em técnicas científicas (ela própria não é uma ciência), só se realiza quando é contada ou lida, o que exige do historiador talento narrativo. Talento narrativo não é escrever bem, mas seduzir o leitor, levá-lo a viver a aventura existencial que o historiador lhe apresenta. Os bons livros de história como este Meeiros de café. Gente e ocupação da zona proibida do Caparaó nos pegam pelo pé. São, como o livro de Vivaldo, um exercício de alteridade: viver a vida do outro e, com isso, se acrescentar de humanidade. Marc Bloch escreveu que o historiador fareja a caça humana onde ela estiver. Em Caparaó, um nome que nos traz imediata reminiscência, boa e má, Vivaldo farejou gente. Ali onde os de fora só vêem o inóspito, a selva, o inacessível, ele sabia que se esconde uma aventura existencial. Sabia por que é de lá, sua família viveu a trama fabulosa de ocupação da terra. O DNA da história brasileira, digamos assim, é essa ocupação do deserto (corruptela de desertão) por gente de toda a parte Suíça, Espanha, Japão... daqui mesmo, um deslocamento incessante que deixa no seu rastro sangue e mais sangue mas, também, sementes de uma nova gente. O povo brasileiro se construiu pelo enfrentamento do proibido, este é o universal brasileiro. Assim, ao contar a ocupação da Zona Proibida do Caparão, no centro-leste, Vivaldo casa, dialeticamente, o universal com o particular um dos mandamentos do método histórico. O leitor verá também, do primeiro ao último parágrafo, que a história daquela gente é a história de Vivaldo, que ao falar dela está falando de si: o objeto estudado preenche o sujeito que estuda. Estamos entre a história e a saga. É ocioso chamar a atenção do leitor para qualquer parte do livro, capítulo, episódio, conclusão Se tivesse de escolher apenas uma, ficaria com a contextualização histórica da venda como intermediação necessária entre o fazendeiro e o meeiro. Joel Rufino dos Santos ![]() Sobre o autor: Vivaldo Barbosa é advogado formado pela UERJ. Fez mestrado e doutorado na Universidade de Harvard. É professor da UNIRIO. Já foi professor da PUC, Cândido Mendes e da Fundação Getúlio Vargas. Foi Secretário de Justiça do Rio no Governo Leonel Brizola. Foi Deputado Federal e líder da bancada do PDT.
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