página inicial | deixe aqui sua opinião Nietzsche, o Rebelde Aristocrata: Biografia intelectual
e Balanço Crítico Filosofia 1.108 páginas R$170,00 Jornal de resenhas - Nº10, Dez de 2010. IVO DA SILVA JÚNIOR Hermenêutica da inocência Trabalho sistemático apresenta um filósofo mais radicalmente político do que Marx Nietzsche é um filósofo inteiramente político. Assim compreende Domenico
Losurdo - como muitos, aliás - a filosofia nietzschiana. De linhagem
marxista, o autor de Nietzsche: o rebelde aristocrata não se põe de acordo,
entretanto, com aqueles que também colocam o filósofo numa chave política. Perseguindo esta via de trabalho, Losurdo pode compreender Nietzsche como um
pensador político no sentido pleno do termo. Afasta-se assim daquelas
leituras políticas que, de um lado, com Lukács e Nolte consideraram o
filósofo um pensador irracionalista e precursor do nazismo e, de outro, com Periculosidade As leituras que apontam para a periculosidade de Nietzsche, seja pela
presença do elemento irracional em sua obra, seja por conter uma semente
proto-nazista, pecam, segundo Losurdo, por não recorrerem corretamente à
história. Ao estabelecerem uma continuidade intelectual entre o pensamento
nietzschiano e os movimentos nazistas sem reconstruir o conturbado fim do
século XIX e início do XX, ignoram a enorme distância que há entre as
afirmações do filósofo e a formação dos movimentos de extrema direita após a
Primeira Guerra Mundial. Se reconstruíssem, não encontrariam a tão propalada
continuidade; não aproximariam a filosofia de Nietzsche de eventos Já as leituras que recusam essa periculosidade consideram Nietzsche um
hermeneuta inocente. Ao transformar muitas das afirmações polêmicas em
metáforas, contribuem para construir a imagem pós-moderna do filósofo.
Assim, no que tange a este elogio da escravidão, essas interpretações Sem demonizar nem endeusar Assim, tanto aqueles que consideram Nietzsche como profeta do Terceiro Reich, como aqueles que, "bem intencionados", procuram combater a imagem nazista do filósofo suprimindo, para tanto, o elemento factual de suas afirmações, fazem a abstração do momento histórico novecentista. Para não cometer o mesmo erro, Losurdo opta por uma metodologia que o exima de ter de criticar/demonizar ou de salvaguardar/endeusar Nietzsche. No fundo desta querela há apenas uma questão metodológica? Certamente não.
Há algo mais em jogo, como Losurdo deixa entrever. Se Nietzsche não é um
pensador perigoso, nem é um inocente hermeneuta, quem é ele? Nietzsche é,
como bem indica o título do livro, um rebelde aristocrata, ou se quisermos,
ao mesmo tempo perigoso e inocente, mas num outro sentido. Losurdo faz Por trabalhar na contramão dos demais especialistas, o autor infelizmente
não encontrará - acredito - o lugar que lhe cabe junto às sociedades
nietzschianas. Basta vermos a repercussão que, de início, este livro de
2002, teve entre os especialistas estrangeiros. Um Nietzsche fora de seu |
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