Mirante

03/nov/2008

Venezuela e socialismo – Para onde vai a Venezuela? Que significado tem o lema Socialismo do Século XXI? Miguel Urbano Rodrigues, um velho e combativo comunista português que, durante o fascismo salazarista, ficou largo tempo exilado no Brasil e aqui exerceu o jornalismo com raro brilho, tenta uma resposta a essas e outras perguntas em relação à atualidade venezuelana. Num relato bem documentado e articulado, publicado após uma recente visita a Caracas, no jornal português de Internet odiário.info, ele mostra as realizações do governo Chávez em favor do povo e dos interesses nacionais da Venezuela, postula a defesa incondicional daquele governo, mas focaliza também exageros e equívocos cometidos na condução do processo político, especialmente no que toca à propalada construção do socialismo. Ver o original aqui, o texto em português de Portugal aqui.

Caravana da morte – Com este título, a Revan publicou o relato magistral de Patrícia Verdugo (ver http://www.revan.com.br/
catalogo/0222.htm
) sobre um dos mais frios e terríveis crimes de terrorismo de Estado jamais cometidos: o assassinato de 75 pessoas em diversas localidades chilenas por um comando militar enviado em helicópteros pela recém-instalada ditadura Pinochet, com a dupla finalidade de forçar o clima de medo na população e firmar seu controle, ainda frágil, sobre as Forças Armadas. Em 16.10, agora, os jornais noticiaram que o comandante daquela operação macabra, general Arellano Stark, foi condenado pela Corte Suprema do Chile a seis anos de prisão. Pena ínfima para crime tão hediondo, mas, afinal, houve uma condenação, e, ao que parece, é apenas a primeira, para o general e para os que dele foram cúmplices. Ver aqui a matéria original publicada em El País e o texto copiado aqui.

Visão da crise – A crise das bolsas e do capitalismo global é assunto de milhares de reportagens, comentários etc. nos jornais, TVs e Internet do mundo inteiro, com milhões de palavras e os mais diversos enfoques, que vão desde os vaticínios mais trágicos até as previsões mais tranquilizadoras. Poucos textos sobre esse tema terão sido tão felizes, entretanto, quanto o publicado por Mauro Santayana, domingo, 12.10, no Jornal do Brasil. Leia aqui.

Moniz Bandeira na ESG – No final de setembro, o renomado escritor e pesquisador de História Moniz Bandeira fez palestra na Escola Superior de Guerra sobre tema fundamental: “A importância geopolítica da América do Sul na estratégia dos Estados Unidos”. Não por acaso, a mídia organizada do capital deixou sem relevo, ou mesmo ignorado, esse acontecimento tão significativo, tanto pelo conteúdo da palestra – uma reflexão fundamentada e inteligente sobre a atualidade e o destino do subcontinente sul-americano, com forte cunho antiimperialista – quanto pelo local onde se realizava, o maior centro de formulação de pensamento militar no Brasil. Só além-fronteira, no Uruguai, um órgão de mídia alternativa, La Onda, relatou com destaque a palestra. Leia aqui a matéria publicada em La Onda e o texto original aqui.

Lula em altaEl País destacou, na edição de 2.10, a liderança de Lula na América do Sul, consolidada na conferência entre presidentes de Brasil, Bolívia, Equador e Venezuela, que acaba de se realizar em Manaus. Mostrou também a extraordinária importância desse evento para catapultar o futuro da região amazônica. O diário espanhol, que pertence ao grupo Prisa – dono de bancos, de jornais e outros investimentos vultosos no Continente – segue, entretanto, a tática conservadora de tentar meter uma cunha entre Lula e Chávez, dando a este o papel de aventureiro e ao primeiro o papel de moderador. Não lhe interessa perceber que se estabeleceu entre os dois presidentes uma espécie de parceria, que até hoje funciona muito bem. Chávez sai em frente, toca o clarin, ou põe a boca no trombone, conforme o caso, e Lula, se o assunto ganha peso e mostra merecer o apoio do gigante brasileiro, vai em socorro. Assim foi criada a Unasul, foi salva a Bolívia (pelo menos por enquanto), e, agora, em Manaus, foi criado o Banco do Sul, ao mesmo tempo em que se armava um projeto formidável de desenvolvimento da Amazônia . Ver aqui a transcrição da matéria de El País.

Fidel: tiro rápido
Fidel Castro publicou no Granma um resumo do discurso de Bush diante do Congresso em Washington sobre a economia dos EUA. É uma síntese inteligente e sarcástica, digna dos melhores dias do Comandante. Ver a matéria original aqui e o texto transcrito aqui.

A crise segundo o
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DANIEL PAZ & RUDY
– A economia dos EUA se parece com o Titanic.
– Porque afunda?
– Não, porque primeiro salvam-se os ricos.

Ivan Grosni, a volta? - As bolsas russas também oscilaram, mas voltaram depressa ao normal. Diferente do que ocorreu nos EUA e outros países capitalistas, não houve lá, porém, injeção de dinheiro público para salvar bancos falidos. O instituto de pesquisa estadunidense Stratfor revelou a mágica. O primeiro-ministro Putin, desautorizando até o presidente Medvedev, impediu que o caixa do Tesouro Nacional fosse aberto para esse fim. Reuniu os grandes magnatas do país e “induziu-os” a tirar dinheiro dos próprios cofres para sanear as finanças do país.

Quase todos que eram de esquerda nos anos 1950-70, ou são jovens cinéfilos hoje, viram o clássico de Eisenstein Ivan, o Terrível (Ivan Grosni, em russo). Ele narra a história do czar Ivan IV, que no século XVI liderou a formação da Rússia moderna, incorporando a ela as estepes do Volga e a Sibéria, em meio a lutas infernais contra inimigos internos e externos. Uma cena, em especial, ficou célebre, no filme: o czar reuniu em palácio os boiardos, que eram os ricos de então, puxou-os literalmente pela barba, ameaçou-os com expropriação e com a forca, e desse modo obrigou-os a contribuir para as batalhas que travava.

Qualquer semelhança com o que faz hoje Putin não é mera coincidência. Sob a sua liderança, depois de duas décadas de definhamento e humilhação, a Rússia se recupera, num curso capitalista que não se alinha ao capitalismo modelado e dominado pelos EUA. É capitalismo, também, mas é capitalismo à moda russa.

Ver a matéria de Stratfor aqui, e a tradução para o português aqui.

Vigilantes a soldo – A mídia organizada do capital fez enorme escarcéu com a expulsão de dois agentes da Human Rights Watch da Venezuela, após a divulgação por eles de um suposto relatório muito negativo sobre a situação dos direitos humanos naquele país. Nenhum jornal ou TV disse, porém, que o principal dos expulsos, o chileno José Miguel Vivanco, diretor daquela ONG, foi funcionário diplomático do governo Pinochet e, ao renascer a democracia em seu país, mudou-se para Washington e passou a atuar em organizações que atendem à política do governo dos EUA. Sua vida desde então está sempre relacionada com episódios que violentam a democracia e os interesses nacionais dos povos latino-americanos. Ver a matéria que dedica ao assunto a Agência Bolivariana de Notícias, da Venezuela, aqui.

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