Venezuela e socialismo – Para onde vai a Venezuela? Que significado tem o lema Socialismo do Século XXI? Miguel Urbano Rodrigues, um velho e combativo comunista português que, durante o fascismo salazarista, ficou largo tempo exilado no Brasil e aqui exerceu o jornalismo com raro brilho, tenta uma resposta a essas e outras perguntas em relação à atualidade venezuelana. Num relato bem documentado e articulado, publicado após uma recente visita a Caracas, no jornal português de Internet odiário.info, ele mostra as realizações do governo Chávez em favor do povo e dos interesses nacionais da Venezuela, postula a defesa incondicional daquele governo, mas focaliza também exageros e equívocos cometidos na condução do processo político, especialmente no que toca à propalada construção do socialismo. Ver o original aqui, o texto em português de Portugal aqui.
Caravana da morte – Com este título,
a Revan publicou o relato magistral de Patrícia Verdugo (ver http://www.revan.com.br/
catalogo/0222.htm) sobre um dos mais frios e terríveis
crimes de terrorismo de Estado jamais cometidos: o assassinato de 75 pessoas
em diversas localidades chilenas por um comando militar enviado em helicópteros
pela recém-instalada ditadura Pinochet, com a dupla finalidade de forçar
o clima de medo na população e firmar seu controle, ainda frágil,
sobre as Forças Armadas. Em 16.10, agora, os jornais noticiaram que o
comandante daquela operação macabra, general Arellano Stark, foi
condenado pela Corte Suprema do Chile a seis anos de prisão. Pena ínfima
para crime tão hediondo, mas, afinal, houve uma condenação,
e, ao que parece, é apenas a primeira, para o general e para os que dele
foram cúmplices. Ver aqui
a matéria original publicada em El País e o texto copiado
aqui.
Visão da crise – A crise das bolsas e do capitalismo global é assunto de milhares de reportagens, comentários etc. nos jornais, TVs e Internet do mundo inteiro, com milhões de palavras e os mais diversos enfoques, que vão desde os vaticínios mais trágicos até as previsões mais tranquilizadoras. Poucos textos sobre esse tema terão sido tão felizes, entretanto, quanto o publicado por Mauro Santayana, domingo, 12.10, no Jornal do Brasil. Leia aqui.
Moniz Bandeira na ESG – No final de setembro, o renomado escritor e pesquisador de História Moniz Bandeira fez palestra na Escola Superior de Guerra sobre tema fundamental: “A importância geopolítica da América do Sul na estratégia dos Estados Unidos”. Não por acaso, a mídia organizada do capital deixou sem relevo, ou mesmo ignorado, esse acontecimento tão significativo, tanto pelo conteúdo da palestra – uma reflexão fundamentada e inteligente sobre a atualidade e o destino do subcontinente sul-americano, com forte cunho antiimperialista – quanto pelo local onde se realizava, o maior centro de formulação de pensamento militar no Brasil. Só além-fronteira, no Uruguai, um órgão de mídia alternativa, La Onda, relatou com destaque a palestra. Leia aqui a matéria publicada em La Onda e o texto original aqui.
Lula em alta – El País
destacou, na edição de 2.10, a liderança de Lula na América
do Sul, consolidada na conferência entre presidentes de Brasil, Bolívia,
Equador e Venezuela, que acaba de se realizar em Manaus. Mostrou também
a extraordinária importância desse evento para catapultar o futuro
da região amazônica. O diário espanhol, que pertence ao
grupo Prisa – dono de bancos, de jornais e outros investimentos vultosos
no Continente – segue, entretanto, a tática conservadora de tentar
meter uma cunha entre Lula e Chávez, dando a este o papel de aventureiro
e ao primeiro o papel de moderador. Não lhe interessa perceber que se
estabeleceu entre os dois presidentes uma espécie de parceria, que até
hoje funciona muito bem. Chávez sai em frente, toca o clarin, ou põe
a boca no trombone, conforme o caso, e Lula, se o assunto ganha peso e mostra
merecer o apoio do gigante brasileiro, vai em socorro. Assim foi criada a Unasul,
foi salva a Bolívia (pelo menos por enquanto), e, agora, em Manaus, foi
criado o Banco do Sul, ao mesmo tempo em que se armava um projeto formidável
de desenvolvimento da Amazônia . Ver aqui
a transcrição da matéria de El País.
Fidel: tiro rápido – Fidel Castro publicou
no Granma um resumo do discurso de Bush diante do Congresso em Washington
sobre a economia dos EUA. É uma síntese inteligente e sarcástica,
digna dos melhores dias do Comandante. Ver a matéria original aqui
e o texto transcrito aqui.
A crise segundo o Pagina 12

DANIEL PAZ & RUDY
– A economia dos EUA se parece com o Titanic.
– Porque afunda?
– Não, porque primeiro salvam-se os ricos.
Ivan Grosni, a volta? - As bolsas russas
também oscilaram, mas voltaram depressa ao normal. Diferente do que ocorreu
nos EUA e outros países capitalistas, não houve lá, porém,
injeção de dinheiro público para salvar bancos falidos.
O instituto de pesquisa estadunidense Stratfor revelou a mágica. O primeiro-ministro
Putin, desautorizando até o presidente Medvedev, impediu que o caixa
do Tesouro Nacional fosse aberto para esse fim. Reuniu os grandes magnatas do
país e “induziu-os” a tirar dinheiro dos próprios
cofres para sanear as finanças do país.
Quase todos que eram de esquerda nos anos 1950-70, ou são jovens cinéfilos
hoje, viram o clássico de Eisenstein Ivan, o Terrível
(Ivan Grosni, em russo). Ele narra a história do czar Ivan IV,
que no século XVI liderou a formação da Rússia moderna,
incorporando a ela as estepes do Volga e a Sibéria, em meio a lutas infernais
contra inimigos internos e externos. Uma cena, em especial, ficou célebre,
no filme: o czar reuniu em palácio os boiardos, que eram os ricos de
então, puxou-os literalmente pela barba, ameaçou-os com expropriação
e com a forca, e desse modo obrigou-os a contribuir para as batalhas que travava.
Qualquer semelhança com o que faz hoje Putin não é mera
coincidência. Sob a sua liderança, depois de duas décadas
de definhamento e humilhação, a Rússia se recupera, num
curso capitalista que não se alinha ao capitalismo modelado e dominado
pelos EUA. É capitalismo, também, mas é capitalismo à
moda russa.
Ver a matéria de Stratfor aqui,
e a tradução para o português aqui.
Vigilantes a soldo – A mídia
organizada do capital fez enorme escarcéu com a expulsão de dois
agentes da Human Rights Watch da Venezuela, após a divulgação
por eles de um suposto relatório muito negativo sobre a situação
dos direitos humanos naquele país. Nenhum jornal ou TV disse, porém,
que o principal dos expulsos, o chileno José Miguel Vivanco, diretor
daquela ONG, foi funcionário diplomático do governo Pinochet e,
ao renascer a democracia em seu país, mudou-se para Washington e passou
a atuar em organizações que atendem à política do
governo dos EUA. Sua vida desde então está sempre relacionada
com episódios que violentam a democracia e os interesses nacionais dos
povos latino-americanos. Ver a matéria que dedica ao assunto a Agência
Bolivariana de Notícias, da Venezuela, aqui.
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