O custo da guerra - A edição de março
da revista The American Conservative trouxe como destaque o artigo "Oil
for war", de Robert Bryce, que mostra uma situação paradoxal:
os Estados Unidos empreenderam a guerra do Iraque para apossar-se do petróleo
daquele país, mas o custo em petróleo de cada dia de guerra é
altíssimo, pois os equipamentos bélicos são de crescente
voracidade em combustível. É interessante notar que, como o nome
indica, a revista é de orientação política conservadora.
Um de seus fundadores é Pat Buchanan, conselheiro de Nixon, Ford e Reagan
e candidato à nomeação do Partido Republicano para a campanha
presidencial em 1992 e 1996. Leia o artigo em inglês aqui.
Em língua portuguesa, uma versão apresentada no blog português
O Carvalhadas, aqui.
A guerra completou agora cinco anos e quatro mil soldados estadunidenses mortos,
num momento em que a resistência recrudesce, com o exército xiita
de Al-Sadr voltando à luta. Roberto Fisk, um dos mais inteligentes e
corajosos jornalistas que cobrem a guerra, faz um balanço impressionante
do desastre no The Independent, de Londres. Ver aqui.
Integração - Em Recife, os presidentes Lula e Hugo
Chávez reuniram-se para tratar, entre outros assuntos, da integração
energética entre Brasil e Venezuela. Um dos temas em debate foi a parceria
Petrobras-PDVSA para a construção da refinaria Abreu e Lima, em
Pernambuco. Sobre o papel da estatal brasileira no processo de integração,
não só com o vizinho, mas com todo o continente sul-americano,
Lula disse que se deve agir com “generosidade e grandeza” e não
pensar apenas na rentabilidade dos empreendimentos. Leia o que a BBC
Brasil escreveu a respeito.
O Brasil e a crise – A repercussão no
Brasil da atual crise econômica nos Estados Unidos foi objeto de duas
entrevistas interessantes no Jornal do Brasil de 23.3, domingo. Uma, com o notável
economista e historiador estadunidense Robert
Brenner, que teme pelo efeito que uma depressão nos preços
das commodities possa ter sobre a economia brasileira. Outra, com o atual diretor
do IPEA, Marcio
Pochman, que não ignora essa possibilidade, mas acredita
que esse fator negativo seja neutralizado pelo potencial de crescimento do mercado
interno e pela capacidade do governo brasileiro de sustentar uma política
de desenvolvimento voltada para dentro do país.
Outra matéria interessante sobre o tema veio pelo O Estado de S.Paulo,
dia 21.3, numa entrevista com Heiner Flassbeck, economista-chefe da UNCTAD,
que chama a atenção para a armadilha em que caiu o Brasil, ao
deixar que sua moeda fosse envolvida pelo cassino financeiro mundial. Ver aqui.
Manipulação – Os quatro maiores jornais brasileiros
em circulação conseguiram uma triste proeza neste domingo, 9.3:
nenhum deles pôs na primeira página o principal fato da crise que
ocupou suas manchetes durante toda a semana, o pedido formal de desculpas ao
Equador pela invasão de seu território feito pelo presidente Uribe,
da Colômbia, e a promessa deste de jamais repetir no futuro fatos dessa
natureza, em violação da soberania nacional de seus vizinhos.
Em contrapartida, há pletora de informações sobre supostos
atos de colaboração dos governos da Venezuela e do Equador com
as FARC, como se eles fossem os agressores, no caso. Em contraste, o New
York Times deu relevo ao resultado da reunião do Grupo do
Rio e reconheceu, em sua edição de 9.3, domingo, que "a Colômbia
e seu aliado, os Estados Unidos, viram-se isolados na região”.
Mas podemos repetir Galileu: E pur si move. A manipulação
midiática não muda o fato de que a política estadunidense
de transformar a Colômbia no Israel da América Latina sofreu um
duro golpe. Não chega a ser um knock-out, como o apelidou Fidel Castro
em seu breve comentário sobre o fato (ver aqui),
pois o poder econômico e militar dos EUA é muito grande e a luta
em defesa da Amazônia contra as ambições imperialistas daquele
país está apenas começando. (Ver a respeito o oportuno
e inteligente artigo de Mauro
Santayana no Jornal do Brasil.) Mas podemos dizer que
essa humilhação a que se submeteu Álvaro Uribe, por força
do isolamento e da hostilidade que teve de enfrentar na reunião de presidentes
latino-americanos em Santo Domingo, fincou um marco na história dessa
luta.
Equador: Rafael Correa, segundo Fidel - Quando o nome do presidente
do Equador, Rafael Correa, aparece na grande mídia nacional, é
normalmente associado aos de Hugo Chávez e Evo Morales e estigmatizado.
Na verdade, os três expressam a vontade de mudança dos povos que
os elegeram -- mudança para uma sociedade menos opressora, menos desigual,
mais soberana. Sobre o presidente equatoriano, leia aqui as impressões
de Fidel
Castro.
Eleições nos EUA – Aproxima-se de uma definição
o quadro de candidaturas para as próximas eleições presidenciais
nos EUA. No lado republicano, firma-se a candidatura do senador McCain, de quem
publicamos há dias um perfil levantado por Fidel
Castro. No lado democrata, o senador Barack Obama parece vencer
sua concorrente Clinton. Embora alguns digam que sua candidatura foi favorecida
com fartos fundos de financiamento e generosos estímulos da mídia
a fim de facilitar a vitória do conservador McCain, e outros, mais numerosos,
vejam pouca ou nenhuma diferença entre os dois, ou mesmo entre um republicano
e um democrata, há intelectuais de esquerda que manifestam esperança
no senador Obama. O conhecido escritor e filósofo Immanuel Wallerstein
acaba de divulgar um texto seu com esse teor. Embora cauteloso, ele acredita
na eleição de Obama para presidente e acredita que, dentro de
limites, seu governo será bom para os Estados Unidos e para o mundo.
Seu texto pode ser acessado aqui.
Sobre méritos e carências do prof. Wallerstein, o leitor tem uma
avaliação no comentário
que está nesta página, no espaço referente
ao seu livro O
fim do mundo como o concebemos, publicado pela Revan.
O presidente da Venezuela criticou a ação de lideranças
aliadas a seu governo ao ocuparem o Arcebispado de Caracas. A ocupação,
segundo os manifestantes, seria um ato contra dois “alvos revolucionários”
– a hierarquia católica e um canal de TV privado. Hugo Chávez
repudiou o ocorrido e ressaltou a inconseqüência de uma extrema esquerda
que muitas vezes serve como justificativa para reações truculentas
de direita, aventando inclusive a possibilidade de infiltração
contra-revolucionária no acontecimento. Leia o que o jornal argentino
Clarín
noticiou a respeito.
Sobre revolucionários, infiltrações contra-revolucionárias
e relações promíscuas promovidas por serviços secretos,
leia O
agente secreto, de Joseph Conrad.
O Manifesto Comunista, de Marx e Engels, acaba de completar 160
anos. No dia 21 de fevereiro de 1848 foi publicada a primeira edição
desse documento histórico que foi, ao mesmo tempo, um libelo contra as
forças predatórias do capital, uma análise concisa do movimento
dos trabalhadores na Europa e uma exposição das doutrinas socialistas
da época. Libelo, análise e exposição lastreados
no propósito de afirmar a capacidade transformadora de novos homens e
novas idéias que se apresentavam.
Foi um panfleto, como muitos outros ao longo da história, mas, diferentemente
de tantos que passaram – comoveram, mas passaram –, permanece sempre
a instigar e motivar pela lucidez dos argumentos.
Leia aqui o texto integral do Manifesto.