Mirante

09/jul/2008

A voz dos que não têm voz – Assim é conhecido em seu país o jornalista palestino Mohammed Omer, que relata o cotidiano da vida em Gaza, território que Israel tem sob seu poder. Por sua atividade heróica e tenaz, Omer ganhou um prêmio de jornalismo em Londres. Sua viagem para recebê-lo foi uma arriscada proeza diplomática. Sua volta à Palestina transformou o prêmio em desgraça, ao cair ele nas mãos da polícia de Israel. A história dramática, narrada pelo jornalista John Pilger, no The Guardian, pode ser lida aqui no original, ou em português de Portugal na versão do site Resistir, aqui.

Fascismo, a volta – Causam indignação e revolta em toda a América Latina as práticas e leis adotadas na Europa de repressão aos imigrantes de pele menos branca, o que naturalmente inclui os brasileiros e todos os latino-americanos. A reunião de presidentes do Mercosul recém-aprovou moção de repúdio a isso. Estudam-se contra-medidas. Eles se enriqueceram com nosso ouro, continuam a explorar-nos através de seus bancos e empresas transnacionais, o que lhes dá poder para, inclusive, seqüestrar a alegria de nosso povo, ao raspar daqui desde crianças os que revelam talento para jogar futebol. Esquecem que em “tiempos malos” para eles acolhemos de braços abertos milhões de imigrantes vindos de lá. Mas, como dizem na máfia, não é questão pessoal: “it’s all business”. É o fascismo que volta. Transcrevemos aqui o excelente artigo que João Quartim de Morais escreveu a respeito, em sua coluna na Internet.

Computadores das FARCs
– Está tudo ainda um tanto obscuro, mas aos poucos se faz luz sobre o caso dos computadores supostamente descobertos pelo governo da Colômbia no Equador, cujos arquivos de veracidade supostamente comprovada pela Interpol comprometeriam os presidentes Hugo Chávez e Rafael Corrêa com a guerrilha colombiana. Divulgamos a seguir duas matérias esclarecedoras sobre o tema.

Primeiro, do economista e publicista estadunidense Mark Weisbrot, que se pode encontrar na versão original em inglês aqui, ou na versão em espanhol aqui.

Também interessante e reveladora sobre esse tema intrincado e delicado é a matéria de Stephen Lendman publicada no site Global Research, igualmente nos EUA, que pode ser lida no original em inglês aqui ou na tradução para o português (tradução de Bárbara Arányi) aqui.

Virando a mesa da economia global -
O poder econômico mundial pode estar, lentamente, mudando de mãos, e os países desenvolvidos têm de se adaptar. Leia artigo interessante de Roger Cohen, do New York Times, em inglês ou em português.

Direita, volver –
Quando a União Soviética capitulou, muitos no Ocidente pensaram que o fim do “socialismo real”era uma vitória da democracia. Não entenderam que o socialismo, com suas conquistas democráticas -- pleno emprego, ensino e saúde universais e gratuitos etc. --, pressionava os países capitalistas a também garantir direitos sociais. Viu-se então que ocorreu o contrário. O capitalismo passou a pender para o fascismo. Até agora, porém, falou-se muito nesse aspecto dos Estados Unidos, onde a democracia só fez encolher-se nesses 30 anos, enquanto a política imperialista perdia freio e limites de brutalidade. A Europa ficou meio esquecida, e apontada até como bastião dos direitos sociais. Mas também lá a onda direitista ganhou terreno. Os governos tornaram-se mais conservadores, os partidos de esquerda perderam identidade e expressão política. Nos últimos anos, há avanço acelerado do racismo e da supressão de direitos civis e trabalhistas. Fala-se já em pôr na lei uma semana de trabalho de 70 horas, o dobro do que era projetado há 30 anos. El País, que não pode ser suspeitado de esquerdista, trata do assunto no dia 22.6: ver aqui.

Este é também o tema do artigo de Mauro Santayana no Jornal do Brasil, no mesmo dia: ver aqui.

O conceituado filósofo francês Jean Salem, professor na Sorbonne e autor de vários livros, trata em mais profundidade do assunto em sua obra Lénine et la Revolution, recém-publicada, e fala dela em entrevista ao jornal português Avante, publicada em 18.6, reproduzida (com revisão para o português-brasileiro) aqui.

Assalto ao petróleo no Iraque –
Um editorial do New York Times, no dia 22.6, critica a forma como os Estados Unidos estão arrancando um contrato do governo do Iraque que permitirá a três “irmãs” do petróleo operar naquele país, embora o Congresso local resista a aprovar a lei que privatiza o setor, nacionalizado e estatizado no governo de Saddam Hussein 36 anos atrás. Embora indubitavelmente a favor das multinacionais, do petróleo ou quaisquer outras, o jornal acha que a concessão, além de favorecer a corrupção, irá aumentar “as compreensíveis suspeitas no mundo árabe de que o petróleo foi o motivo real da invasão do Iraque e acirrará ainda mais a desconfiança e o ressentimento entre facções religiosas e étnicas no Iraque”. Ver a matéria aqui.