Leões e cordeiros – Com este título em português, entrou nos cinemas e TVs do país um filme dirigido por Robert Redford e protagonizado por ele próprio e elenco notável de atores. É bom filme, mas vem citado aqui por uma circunstância curiosa. Seu tema é uma nova estratégia de guerra adotada pelo governo de Washington que desloca o foco central do Iraque para o Afeganistão. Coincide em tudo com o discurso que marca o “deslocamento para o centro” do candidato Obama - e não se pode dizer que o alvo do filme é Obama, pois foi produzido antes dessa mudança do candidato.
O site canadense Global Research, em matéria assinada por Bill Auken, faz uma análise detalhada dessa mudança de Obama, bem marcada em seus discursos recentes nos EUA e em espetaculoso périplo por Israel, Alemanha e outros países, nos quais se alinha com a política de Bush, para decepção dos liberais que o apoiaram por seu discurso antiguerra no início da campanha. Se ele for eleito, a história dirá se essa inclinação para a direita é habilidade eleitoral ou tem implicações maiores. Ver o texto copiado da matéria aqui e a tradução de Karol Gonçalves para o português aqui.
Crise na Argentina – A mídia em geral deu cobertura anti-Kirchner à crise que opõe na Argentina o governo e setores da economia rural. Também no país vizinho houve essa parcialidade midiática, que atraiu para a oposição numerosos setores de classe média e acabou por ganhar a maioria do Senado. No fundo, entretanto, trata-se de um conflito social-econômico. De um lado o governo, que procura manter a produção agropecuária que abastece o mercado interno, especialmente carne e trigo, e levar adiante medidas de redistribuição de renda tipo bolsa-família. De outro, os grandes empresários agrícolas, que não querem perder um centavo sequer dos imensos lucros que lhes proporciona a alta de preços de commodities, especialmente a soja e o girassol. O jornal Pagina 12 publicou neste dia 20.7 um artigo esclarecedor de Edgardo Mocca. Ver aqui a matéria original e aqui o texto copiado.
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Wallerstein se revê – Conquanto seja um
dos mais inteligentes e instruídos acadêmicos estadunidenses, Immanuel
Wallerstein publicou nos últimos anos numerosos livros e conferências
nos quais se empenhou em induzir o leitor ao engano de que os conceitos de Estado
e nação ficaram obsoletos no “sistema-mundo” do capitalismo
atual. Muita gente na esquerda se deixou levar por esse equívoco, embora
seu teor anarquista fosse evidente*. A crise mundial, no entanto, parece que
levou o professor a rever sua postura. Numa interessante análise que
publicou dia 10.7 no site Yale Global sobre as mudanças políticas
que ocorrem no mundo em conseqüência da redução do
poder relativo dos Estados Unidos, ele conclui: “Não obstante,
devemos lidar com os Estados e o nacionalismo a curto prazo, a fim de evitar
fendas sísmicas. Assim teremos uma possibilidade de sobreviver, uma oportunidade
para conseguir aquele outro mundo que é possível.” Ver o
original aqui,
o texto copiado aqui.
A tradução para o português, oferecida pelo MST, aqui.
(*) Ver neste sítio da Revan o comentário “O
anarquismo, de novo?”, na página referente ao livro
de Wallerstein O fim do mundo como o concebemos.
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Terrorismo de Bush no Irã - Ocupa o topo das matérias
mais lidas no The New Yorker há uma semana um artigo de Seymour
Hersh sobre a política de seu país em relação ao
Irã. Ele revela que o governo Bush se empenha numa campanha de terrorismo
de Estado no Irã, com atentados, assassinatos, seqüestros e outras
modalidades associadas a esse gênero de ação político-militar.
O objetivo é minar as bases político-religiosas do governo local
a fim de preparar um golpe de Estado e/ou preparar o terreno para uma invasão
do país. Hersh descreve as violações e distorções
da lei em que para tanto se envolve o governo de seu país e a resistência
que essa política aventureira encontra em meios políticos e militares
estadunidenses. Ver o original do The
New Yorker ou aqui;
a tradução para o português, de Cristina Cupertino,
aqui.
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Lula, discreto, saiu-se melhor – A mídia
no Brasil censurou Lula por sua discrição no cumprimento ao presidente
da Colômbia após o dito resgate dos prisioneiros das FARCs. Diferente
de Chávez, Corrêa e, mais surpreendente, Fidel, que jogaram as
FARCs às feras e correram para o abraço a Uribe, Lula limitou-se
a incumbir o ministro Amorim de saudar em termos quase protocolares aquele mais
que controverso líder da direita colombiana. Com o passar dos dias, os
fatos deram razão ao comedimento do presidente brasileiro. O resgate
ficou obscuro, a operação pareceu mais dos EUA que da Colômbia,
há ainda muito por esclarecer no assunto. Diante disso, Fidel Castro
achou por bem retificar a declaração com que na hora saudou o
acontecimento. Em artigo publicado dia 6.7 no Granma, com o título
A paz romana, ele denuncia a ingerência dos EUA no caso, mostra
as razões históricas para a luta das FARCs, recusa-se “a
premiar a deslealdade e a traição” e a somar com aqueles
que exortam os guerrilheiros a se renderem. “Nunca apoiarei a paz romana
que o império pretende impor na América Latina”, diz. Ver
o original aqui
e a versão para o português, ofertada por Augusto Buonicori,
aqui.
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Cidadão Ilustre – Eduardo Galeano (dois
títulos publicados na Revan: Nós dizemos não e Ser
como eles) é a primeira personalidade a receber o título
de Cidadão Ilustre do Mercosul, conferido na recém realizada reunião
de presidentes dos países que participam desta instituição,
na Argentina. Ao receber a homenagem, Galeano fez linda e sábia oração,
da qual o primeiro parágrafo já é uma jóia de criação
literária:
“Nossa região é o reino dos paradoxos.”
“Brasil, peguemos alguns casos: paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial; paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e pela poliomielite, nascido para a infelicidade, foi o jogador que mais alegria deu em toda a história do futebol; e, paradoxalmente, já completou cem anos de idade Oscar Niemeyer, que é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.” Ver a íntegra da fala de Galeano divulgada no site do MST aqui.
A presidenta Cristina Kirchner, de seu lado, apresentou na reunião uma bela justificativa para o prêmio a Galeano, de quem disse que “É uma dessas pessoas que queimam a vida com tanta garra que não se pode olhar para elas sem piscar.” Veja a íntegra da fala de Cristina Kirchner aqui.