Mais tensão na Argentina – Depois de
uma semana calma, a situação na Argentina volta a ficar tensa.
A presidenta Cristina Kirchner submeteu ao Congresso, para que transforme em
lei, suas medidas de taxação de exportações de soja
e outros cereais não comestíveis, mas mais lucrativos, a fim de
que a agropecuária seja pressionada a voltar à produção
de carne e trigo, que abandonava. Isso deixou mais irritados os produtores de
commodities no campo, pois a aprovação pelo Congresso é
considerada certa. Além disso, a presidenta pronunciou enérgico
discurso no ato “em defesa da democracia” realizado, na Plaza de
Mayo, do qual participou grande multidão. “"Quatro pessoas
que ninguém elegeu se reúnem e decidem quem pode circular pelas
estradas e quem não pode”, disse ela, referindo-se aos dirigentes
das associações rurais. E denunciou que o movimento oposicionista
toma caráter de tentativa de golpe de Estado de direita. Ver matéria
no El País, aqui.
Cristina parou o “paro” – A presidente Cristina
Kirchner parece estar vencendo a queda de braço com os grandes produtores
de soja argentinos. Estes, irritados com o imposto criado pelo governo para
onerar a exportação de grãos e por esse meio estimular
a produção de carne, trigo e outros alimentos consumidos pela
população, promoveram um “paro” rural e, com este,
uma crise de desabastecimento no país vizinho. O governo conseguiu, entretanto,
controlar a crise, o dólar voltou a estabilizar-se na relação
de 3 por 1, a opinião pública mostra apoio à presidenta.
Na edição do dia 12.6, La Nación, francamente
pró-ruralistas, reconhece que o patronato rural está dividido
e semiparalizado. Ver aqui.
Veja mais sobre o assunto na edição do dia 14.06, El
País.
Exército dos EUA contra Obama – O Washington
Post divulga e critica posição pública assumida por
órgão oficial de informação do US Army contra o
candidato Barack Obama. Segundo matéria divulgada por este boletim militar,
o quase candidato do Partido Democrata adotaria, se eleito, uma política
de rendição no Iraque. Sabe-se porém que Obama nem chega
a ser frontalmente contra a política de guerra de Bush. Há poucos
dias, ele declarou que o erro dessa política era dirigir-se contra o
Iraque, quando, em sua opinião, deveria ter por alvo prioritário
o Paquistão. O colunista do Washington Post contesta a matéria
do informativo militar e insinua que seu autor nem sequer leu o programa de
Obama. Ver aqui.
Resistência no Iraque – Encontra resistência
no governo de Bagdá o projeto do governo Bush de arrancar do Iraque um
tratado de “ocupação eterna” que permita aos EUA,
entre outros direitos, o de manter 58 bases militares naquele país. O
site Huffington Post, dos EUA, divulga no dia 9.6 declarações
de políticos e autoridades iraquianas que repudiam o tratado. Um membro
da Suprema Corte daquele país diz que a situação resultante
seria “mais abominável do que a ocupação” atual
e afirma que a proposta será recusada. Os comentários de leitores
estadunidenses criticam acidamente a iniciativa de Washington; um deles afirma:
“estamos na Alemanha dos anos 1930”. Ver a matéria aqui.
Crise na imprensa – A Folha de S.Paulo reproduz,
dia 8.6, interessante matéria publicada pelo The
New Yorker sobre a crise mundial que atravessam os jornais
impressos, acossados pela concorrência da internet, que cada dia gera
seus próprios e criativos órgãos de informação
e opinião. A matéria é assinada pelo conhecido jornalista
estadunidense Eric Alterman. Ver a matéria original aqui.
A tradução para o português, disponível para assinantes
da Folha e do Uol,
pode ser acessada aqui.
O que esperar de Bush? – O mundo inteiro se preocupa com
o que pode ainda fazer o presidente Bush a fim de salvar seu governo da derrota
nas eleições presidenciais de novembro. Uma guerra com o Irã,
que lhe recupere a popularidade? Ou que lhe permita recorrer ao expediente legal
de suprimir as eleições por efeito do estado de guerra? Muitas
são as hipóteses. Agora, o Independent, de Londres, denuncia
a existência de plano secreto de acordos com o suposto governo de Bagdá
que implicariam a ocupação militar do Iraque pelos Estados Unidos
até o fim dos tempos e que permitiriam aos EUA tocar trombeta de vitória
na guerra. Ver aqui.
Mercenários – São dezenas de milhares,
ocupam-se de proteger, matar, raptar, bombardear, prestar serviços de
logística e inteligência etc. Seus mortos e feridos não
contam nas perdas da guerra, suas ações não se submetem
a qualquer lei ou limite, seus serviços são pagos regiamente e
enriquecem grandes empresas privadas, principalmente dos EUA e da Inglaterra.
São os mercenários que atuam na ocupação do Iraque.
A revista Al Ahram Weekly publicou minuciosa e fundamentada pesquisa
sobre o assunto, cuja versão em espanhol o site Rebelión
divulga. Ver aqui.
A crise segundo Paul Volker – Presidente do FED em 1979-87,
quando aplicou “remédios amargos” para debelar uma crise
econômica semelhante à atual, Volker dá entrevista a El
País e comenta a situação de hoje. Embora cauteloso,
ele vê necessidade de mudanças e aposta em Obama para presidente.
Ver aqui.
A biblioteca na Era da Internet – A New York Review
of Books traz artigo interessante do historiador Robert Darnton sobre o
futuro das bibliotecas e sua permanência a despeito do Google e outros
instrumentos de pesquisa na Internet. Leia aqui.
Amazônia, urgente – A soberania da Amazônia
em perigo volta a ser o tema da coluna de Mauro Santayana no JB. Ele faz nesta
quinta-feira, 29, um alerta e um apelo dramático ao presidente Lula para
que não permita ao ministro Carlos Minc cumprir sua promessa de oferecer
de presente a Amazônia à gestão das grandes potências
numa próxima reunião a se realizar na Alemanha. Ver aqui.
Cotistas têm boas notas – O IPEA fez interessante
pesquisa sobre o resultado do polêmico programa de cotas nas universidades
para jovens que se identificam como negros. Ao contrário do que muitos
supuseram, os alunos beneficiados por esse programa alcançam bons resultados
nos exames. Veja aqui.