Mirante

23/jun/2008

Mais tensão na Argentina – Depois de uma semana calma, a situação na Argentina volta a ficar tensa. A presidenta Cristina Kirchner submeteu ao Congresso, para que transforme em lei, suas medidas de taxação de exportações de soja e outros cereais não comestíveis, mas mais lucrativos, a fim de que a agropecuária seja pressionada a voltar à produção de carne e trigo, que abandonava. Isso deixou mais irritados os produtores de commodities no campo, pois a aprovação pelo Congresso é considerada certa. Além disso, a presidenta pronunciou enérgico discurso no ato “em defesa da democracia” realizado, na Plaza de Mayo, do qual participou grande multidão. “"Quatro pessoas que ninguém elegeu se reúnem e decidem quem pode circular pelas estradas e quem não pode”, disse ela, referindo-se aos dirigentes das associações rurais. E denunciou que o movimento oposicionista toma caráter de tentativa de golpe de Estado de direita. Ver matéria no El País, aqui.

Cristina parou o “paro” –
A presidente Cristina Kirchner parece estar vencendo a queda de braço com os grandes produtores de soja argentinos. Estes, irritados com o imposto criado pelo governo para onerar a exportação de grãos e por esse meio estimular a produção de carne, trigo e outros alimentos consumidos pela população, promoveram um “paro” rural e, com este, uma crise de desabastecimento no país vizinho. O governo conseguiu, entretanto, controlar a crise, o dólar voltou a estabilizar-se na relação de 3 por 1, a opinião pública mostra apoio à presidenta. Na edição do dia 12.6, La Nación, francamente pró-ruralistas, reconhece que o patronato rural está dividido e semiparalizado. Ver aqui.
Veja mais sobre o assunto na edição do dia 14.06, El País.

Exército dos EUA contra Obama –
O Washington Post divulga e critica posição pública assumida por órgão oficial de informação do US Army contra o candidato Barack Obama. Segundo matéria divulgada por este boletim militar, o quase candidato do Partido Democrata adotaria, se eleito, uma política de rendição no Iraque. Sabe-se porém que Obama nem chega a ser frontalmente contra a política de guerra de Bush. Há poucos dias, ele declarou que o erro dessa política era dirigir-se contra o Iraque, quando, em sua opinião, deveria ter por alvo prioritário o Paquistão. O colunista do Washington Post contesta a matéria do informativo militar e insinua que seu autor nem sequer leu o programa de Obama. Ver aqui.

Resistência no Iraque
– Encontra resistência no governo de Bagdá o projeto do governo Bush de arrancar do Iraque um tratado de “ocupação eterna” que permita aos EUA, entre outros direitos, o de manter 58 bases militares naquele país. O site Huffington Post, dos EUA, divulga no dia 9.6 declarações de políticos e autoridades iraquianas que repudiam o tratado. Um membro da Suprema Corte daquele país diz que a situação resultante seria “mais abominável do que a ocupação” atual e afirma que a proposta será recusada. Os comentários de leitores estadunidenses criticam acidamente a iniciativa de Washington; um deles afirma: “estamos na Alemanha dos anos 1930”. Ver a matéria aqui.

Crise na imprensa –
A Folha de S.Paulo
reproduz, dia 8.6, interessante matéria publicada pelo The New Yorker sobre a crise mundial que atravessam os jornais impressos, acossados pela concorrência da internet, que cada dia gera seus próprios e criativos órgãos de informação e opinião. A matéria é assinada pelo conhecido jornalista estadunidense Eric Alterman. Ver a matéria original aqui. A tradução para o português, disponível para assinantes da Folha e do Uol, pode ser acessada aqui.

O que esperar de Bush?
– O mundo inteiro se preocupa com o que pode ainda fazer o presidente Bush a fim de salvar seu governo da derrota nas eleições presidenciais de novembro. Uma guerra com o Irã, que lhe recupere a popularidade? Ou que lhe permita recorrer ao expediente legal de suprimir as eleições por efeito do estado de guerra? Muitas são as hipóteses. Agora, o Independent, de Londres, denuncia a existência de plano secreto de acordos com o suposto governo de Bagdá que implicariam a ocupação militar do Iraque pelos Estados Unidos até o fim dos tempos e que permitiriam aos EUA tocar trombeta de vitória na guerra. Ver aqui.

Mercenários – São dezenas de milhares, ocupam-se de proteger, matar, raptar, bombardear, prestar serviços de logística e inteligência etc. Seus mortos e feridos não contam nas perdas da guerra, suas ações não se submetem a qualquer lei ou limite, seus serviços são pagos regiamente e enriquecem grandes empresas privadas, principalmente dos EUA e da Inglaterra. São os mercenários que atuam na ocupação do Iraque. A revista Al Ahram Weekly publicou minuciosa e fundamentada pesquisa sobre o assunto, cuja versão em espanhol o site Rebelión divulga. Ver aqui.

A crise segundo Paul Volker –
Presidente do FED em 1979-87, quando aplicou “remédios amargos” para debelar uma crise econômica semelhante à atual, Volker dá entrevista a El País e comenta a situação de hoje. Embora cauteloso, ele vê necessidade de mudanças e aposta em Obama para presidente. Ver aqui.

A biblioteca na Era da Internet –
A New York Review of Books traz artigo interessante do historiador Robert Darnton sobre o futuro das bibliotecas e sua permanência a despeito do Google e outros instrumentos de pesquisa na Internet. Leia aqui.

Amazônia, urgente –
A soberania da Amazônia em perigo volta a ser o tema da coluna de Mauro Santayana no JB. Ele faz nesta quinta-feira, 29, um alerta e um apelo dramático ao presidente Lula para que não permita ao ministro Carlos Minc cumprir sua promessa de oferecer de presente a Amazônia à gestão das grandes potências numa próxima reunião a se realizar na Alemanha. Ver aqui.

Cotistas têm boas notas – O IPEA fez interessante pesquisa sobre o resultado do polêmico programa de cotas nas universidades para jovens que se identificam como negros. Ao contrário do que muitos supuseram, os alunos beneficiados por esse programa alcançam bons resultados nos exames. Veja aqui.