Fato histórico – Este é realmente
o caráter que assumiu o ato de fundação em Brasília,
pelos chefes de Estado da América do Sul, da Unasul, a entidade destinada
a unir os 12 países do subcontinente numa organização de
defesa conjunta. Impensável há poucos anos, numa área que
os Estados Unidos sempre consideraram ser seu “quintal”, esse ato
de grande alcance foi obra da habilidade do presidente Lula, e da diplomacia
brasileira em particular, com a ativa participação dos governos
da Venezuela, da Bolívia, da Argentina e do Equador, no esforço
para reduzir tensões e aparar arestas entre os vários e muito
diversos países envolvidos. A grande imprensa no Brasil fez o possível,
primeiro, para ignorar o acontecimento que se aproximava, em seguida, quando
isso já não era mais possível, para focar a lente em suas
dificuldades e desfigurá-lo. Mas a grandeza do fato é auto-evidente.
Reproduzimos aqui três manifestações que ajudam a compreender
a significação extraordinária desse ato fundador. Primeiro,
uma extensa entrevista concedida pelo presidente Hugo
Chávez aos jornalistas brasileiros Fernando Morais, Emir
Sader e Beto Almeida. Segundo, uma entrevista do historiador Moniz
Bandeira (autor, entre outras numerosas obras, de Brasil, Argentina
e Estados Unidos, publicado pela Revan) ao jornal uruguaio La República.
Finalmente, o artigo publicado no Jornal do Brasil domingo, dia 25, por Mauro
Santayana, que faz uma reflexão mais ampla sobre a situação
mundial, com atenção também no fortalecimento da direita
na Europa, para explicar a necessidade e a oportunidade dessa união sul-americana
de autodefesa.
É a Amazônia, idiota! – A demissão a
pedido da ministra Marina Silva, como se esperava, provocou reação
na mídia internacional. Ela era “a guardiã da Amazônia”
para todo tipo de grupos e interesses que pretendem tirar do Brasil a soberania
daquela região. No editorial que dedica à exoneração
da ministra, na edição de 15.8.08, o Independent de Londres
– não obstante ser jornal com prestígio de liberal –
chega a dizer que “Esta parte do Brasil (a Amazônia)
é muito importante para deixar para os brasileiros.” Precisa
mais?
A cada dia, a questão da Amazônia entra no foco da luta política
em nosso país, envolvendo o Executivo, as Forças Armadas e o Poder
Judiciário. Se não houver prudência e espírito patriótico
nas partes envolvidas, o país entrará com muita probabilidade
em crise institucional.
O site do Movimento de Solidariedade Ibero-Americana – MSIA, entidade
nacionalista conservadora ligada à Igreja Católica, publicou há
dias duas matérias bem fundamentadas sobre o tema. Vale a pena ler aqui.
Primeiro Iraque, depois Irã - Um fracasso de guerra no
Iraque pode ser na verdade um grande sucesso, que, como os sinais indicam, pode
ter o Irã como novo alvo. Leia o artigo de Paul Craig Roberts, alto funcionário
do primeiro governo Reagan, em inglês
ou português.
Lula apóia Chávez - "Chávez é
o melhor presidente que a Venezuela teve em 100 anos": assim se manifestou
o presidente Lula em entrevista à revista alemã Der Spiegel,
noticiada ontem pelo argentino La Nación, com menção
positiva também a Evo Morales e outros governantes com perfil de esquerda
que vêm se elegendo na América do Sul. Curiosamente, a imprensa
brasileira passou por cima da entrevista. Aqui.
Cerco a Basra – Basra é a terceira maior cidade iraquiana
e capital de uma região rica em petróleo. No final de março,
a cidade foi o alvo de uma operação lançada pelos EUA e
pelo governo que estes montaram no Iraque. O objetivo era destruir o Éxercito
Mahdi, comandado pelo líder religioso xiita Muqtada al-Sadr. A ocasião
foi uma janela para o sempre mutável esquema de forças envolvidas
no conflito. Uma análise bem fundamentada do tema foi publicada na International
Socialist Review. Veja aqui em inglês
ou em português.
Jardim antropológico – A respeito da política
do Estado brasileiro em relação aos índios, com foco no
conflito em torno da Raposa Serra do Sol, o professor Helio Jaguaribe publicou
na Folha de S.Paulo uma análise inteligente e compreensiva.
Veja aqui.
Que o petróleo seja nosso – Um Brasil de cofres cheios
com a receita da exportação de petróleo é a perspectiva
com que passam a trabalhar economistas e técnicos da área. É
preciso que essa riqueza não seja malbaratada, que reverta em benefício
para o povo brasileiro. Quais mudanças de estratégia política
do Estado são necessárias para garantir isso é o que analisam
os diplomatas José Viegas,
ex-ministro da Defesa, e Rubens
Ricupero, ex-ministro da Fazenda, em artigos publicados na Folha
de S.Paulo. É também o tema da entrevista de Fernando
Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da
Petrobras, concedida a Valéria Nader e divulgada no site do MST.
Oriente Médio – Israel parece não
querer a paz com a Síria e o Líbano. Seus esforços de negociação
– em convênio com os interesses de EUA, Grã-Bretanha, França
e Alemanha – dirigem-se principalmente a afastar o Irã. Leia o
artigo da Global Research, que detalha o desenho de forças na
região; em inglês
ou em português.
Já na Faixa de Gaza, as recentes iniciativas de aproximação
do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, com o líder do Hamas, Khaled
Meshal, foram criticadas pela Secretária de Estado, Condoleezza Rice.
Carter teria agido à revelia do Departamento de Estado, que rejeita a
participação da organização nas negociações
de paz. Em seu governo, Carter foi mediador do acordo de Camp David entre Israel
e Egito. Leia a matéria do New York Times, em inglês
ou em português.
O preço dos grãos – O aumento do preço
dos alimentos é a ordem do dia. Afeta todos, ricos ou pobres, mas é
mais duro nestes, sem dúvida. Um relatório da consultoria estadunidense
Stratfor destaca os fatores que estão convergindo para a inflação.
Leia em inglês
ou em português.
Quanta às soluções, a revista inglesa The Economist
indica alguns caminhos. Leia em inglês
ou em português.