Mirante

29/maio/2008

Fato histórico – Este é realmente o caráter que assumiu o ato de fundação em Brasília, pelos chefes de Estado da América do Sul, da Unasul, a entidade destinada a unir os 12 países do subcontinente numa organização de defesa conjunta. Impensável há poucos anos, numa área que os Estados Unidos sempre consideraram ser seu “quintal”, esse ato de grande alcance foi obra da habilidade do presidente Lula, e da diplomacia brasileira em particular, com a ativa participação dos governos da Venezuela, da Bolívia, da Argentina e do Equador, no esforço para reduzir tensões e aparar arestas entre os vários e muito diversos países envolvidos. A grande imprensa no Brasil fez o possível, primeiro, para ignorar o acontecimento que se aproximava, em seguida, quando isso já não era mais possível, para focar a lente em suas dificuldades e desfigurá-lo. Mas a grandeza do fato é auto-evidente.

Reproduzimos aqui três manifestações que ajudam a compreender a significação extraordinária desse ato fundador. Primeiro, uma extensa entrevista concedida pelo presidente Hugo Chávez aos jornalistas brasileiros Fernando Morais, Emir Sader e Beto Almeida. Segundo, uma entrevista do historiador Moniz Bandeira (autor, entre outras numerosas obras, de Brasil, Argentina e Estados Unidos, publicado pela Revan) ao jornal uruguaio La República. Finalmente, o artigo publicado no Jornal do Brasil domingo, dia 25, por Mauro Santayana, que faz uma reflexão mais ampla sobre a situação mundial, com atenção também no fortalecimento da direita na Europa, para explicar a necessidade e a oportunidade dessa união sul-americana de autodefesa.

É a Amazônia, idiota! –
A demissão a pedido da ministra Marina Silva, como se esperava, provocou reação na mídia internacional. Ela era “a guardiã da Amazônia” para todo tipo de grupos e interesses que pretendem tirar do Brasil a soberania daquela região. No editorial que dedica à exoneração da ministra, na edição de 15.8.08, o Independent de Londres – não obstante ser jornal com prestígio de liberal – chega a dizer que “Esta parte do Brasil (a Amazônia) é muito importante para deixar para os brasileiros.” Precisa mais?
A cada dia, a questão da Amazônia entra no foco da luta política em nosso país, envolvendo o Executivo, as Forças Armadas e o Poder Judiciário. Se não houver prudência e espírito patriótico nas partes envolvidas, o país entrará com muita probabilidade em crise institucional.
O site do Movimento de Solidariedade Ibero-Americana – MSIA, entidade nacionalista conservadora ligada à Igreja Católica, publicou há dias duas matérias bem fundamentadas sobre o tema. Vale a pena ler aqui.

Primeiro Iraque, depois Irã -
Um fracasso de guerra no Iraque pode ser na verdade um grande sucesso, que, como os sinais indicam, pode ter o Irã como novo alvo. Leia o artigo de Paul Craig Roberts, alto funcionário do primeiro governo Reagan, em inglês ou português.

Lula apóia Chávez
- "Chávez é o melhor presidente que a Venezuela teve em 100 anos": assim se manifestou o presidente Lula em entrevista à revista alemã Der Spiegel, noticiada ontem pelo argentino La Nación, com menção positiva também a Evo Morales e outros governantes com perfil de esquerda que vêm se elegendo na América do Sul. Curiosamente, a imprensa brasileira passou por cima da entrevista. Aqui.

Cerco a Basra –
Basra é a terceira maior cidade iraquiana e capital de uma região rica em petróleo. No final de março, a cidade foi o alvo de uma operação lançada pelos EUA e pelo governo que estes montaram no Iraque. O objetivo era destruir o Éxercito Mahdi, comandado pelo líder religioso xiita Muqtada al-Sadr. A ocasião foi uma janela para o sempre mutável esquema de forças envolvidas no conflito. Uma análise bem fundamentada do tema foi publicada na International Socialist Review. Veja aqui em inglês ou em português.

Jardim antropológico –
A respeito da política do Estado brasileiro em relação aos índios, com foco no conflito em torno da Raposa Serra do Sol, o professor Helio Jaguaribe publicou na Folha de S.Paulo uma análise inteligente e compreensiva. Veja aqui.

Que o petróleo seja nosso –
Um Brasil de cofres cheios com a receita da exportação de petróleo é a perspectiva com que passam a trabalhar economistas e técnicos da área. É preciso que essa riqueza não seja malbaratada, que reverta em benefício para o povo brasileiro. Quais mudanças de estratégia política do Estado são necessárias para garantir isso é o que analisam os diplomatas José Viegas, ex-ministro da Defesa, e Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda, em artigos publicados na Folha de S.Paulo. É também o tema da entrevista de Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras, concedida a Valéria Nader e divulgada no site do MST.

Oriente Médio – Israel parece não querer a paz com a Síria e o Líbano. Seus esforços de negociação – em convênio com os interesses de EUA, Grã-Bretanha, França e Alemanha – dirigem-se principalmente a afastar o Irã. Leia o artigo da Global Research, que detalha o desenho de forças na região; em inglês ou em português.

Já na Faixa de Gaza, as recentes iniciativas de aproximação do ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, com o líder do Hamas, Khaled Meshal, foram criticadas pela Secretária de Estado, Condoleezza Rice. Carter teria agido à revelia do Departamento de Estado, que rejeita a participação da organização nas negociações de paz. Em seu governo, Carter foi mediador do acordo de Camp David entre Israel e Egito. Leia a matéria do New York Times, em inglês ou em português.

O preço dos grãos –
O aumento do preço dos alimentos é a ordem do dia. Afeta todos, ricos ou pobres, mas é mais duro nestes, sem dúvida. Um relatório da consultoria estadunidense Stratfor destaca os fatores que estão convergindo para a inflação. Leia em inglês ou em português. Quanta às soluções, a revista inglesa The Economist indica alguns caminhos. Leia em inglês ou em português.