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O MEDO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

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Ficha Técnica

Autor(es): VERA MALAGUTI BATISTA
ISBN: 9788571062935
Idioma: Português
Edição: 2ª. Edição 2009
Número de Páginas: 272
Ano de Edição: 2003
Formato: 1 X 14 X 21

Sinopse

De forma original e detalhada, Vera Malaguti enfoca em O medo na cidade do Rio de Janeiro a difusão do medo do caos e da desordem para neutralizar e disciplinar as massas empobrecidas, a partir da hegemonia conservadora. Para entender as bases do medo contemporâneo, a autora analisa os discursos sobre a segurança na conjuntura de pânico no Rio de Janeiro na década de 1990 do século XX, paralelo ao estudo dos medos cariocas do século XIX, ao retratar a repercussão no Rio de Janeiro da revolta muçulmana escrava conhecida como a Revolta dos Malês.

Com isso, Vera Malaguti ressalta as rupturas e permanências em relação aos medos de hoje. Seu estudo contribui não só para a historiografia do controle social no Rio de Janeiro, mas para três outras áreas diferentes da investigação social. Uma primeira área seria a da história cultural do medo e seu consecutivo impacto na vida social e política da sociedade. A autora aproveita para reforçar a ideia de que a Igreja, no começo da era moderna, de forma sábia manipulou e orientou os medos populares para consolidar seus interesses. Ressalta ainda que o medo coletivo foi de extrema importância na construção da sociedade urbana no Brasil.

Esse medo invadiu e danificou vários segmentos da vida carioca. E, até hoje, esses medos são alimentados pelas elites urbanas para assegurarem seus objetivos, assim como o fazia a Igreja. Em um segundo momento, tal estudo enriquece uma outra área da investigação social: a da sociologia histórica da escravidão e seus consecutivos efeitos colaterais (incluindo a formação das hierarquias sociais). Vera afirma que a escravidão exerceu uma enorme influência sobre a divisão e organização da sociedade contemporânea. Nisso incluem-se discursos, práticas de instituições, como a medicina e a saúde pública, política, imprensa, e o não menos importante controle da criminalidade.

Analogamente, sugere que o policiamento seletivo, influenciado e guiado por classe e cor - em que prevalece o desrespeito a direitos fundamentais sem o menor pudor - nasceu ainda no conturbado período imperial, quando o racismo foi fundido ao senso comum da sociedade. O que nos leva a uma terceira área da investigação social: a antropologia da contenção material e simbólica das classes baixas na cidade.

Encontramos,  então, uma intensa mistura de penalização com racialização, ocasionando a "demonização da ralé", como cita Loïc Wacquant (responsável pelo prefácio do livro). O que acaba por tornar impossível a separação da ideia de criminalidade da multidão urbana. O medo na cidade do Rio de Janeiro não se destina apenas a pesquisadores. Ele possibilita uma maior elucidação a cidadãos comuns que tiverem interesse em desvendar as razões pelas quais o "medo do outro" e a violência criminal tornaram-se obsessões da sociedade contemporânea, e o porquê das políticas de segurança públicas serem fadadas ao fracasso.

Sobre a autora: Vera Malaguti Batista é mestre em História Social (UFF), doutora em Saúde Coletiva (UERJ), professora de Criminologia na Universidade Cândido Mendes e secretária-geral do Instituto Carioca de Criminologia.

Leia também

Prefácio, Loïc Wacquant Jornal do Brasil (02.fev.2004) Folha de São Paulo (17.fev.2004) Democracia Viva (Fev 2004/Mar 2004) Revista NU-SOL (Julho/2004)
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